Sua Voz

Cola: uma experiência de aluna

Mônica Duque

Primeiro dia de aula, já torci o nariz: contratado para a disciplina de Negócios e Comércio Eletrônico na Web, apresentou-se afirmando não acreditar naquilo. Não demorou muito, comecei a notar que falava algumas coisas das quais eu discordava (quatro anos estudando mercado, produto e público-alvo não me foram exatamente inúteis). Na primeira bobagem, até tentei debater, mas, em vista daquele "seje" estampido na minha orelha, achei melhor não insistir.

Conforme o tempo foi passando, a diversão da galera tornou-se contar quantos "na verdade" ele dizia durante a aula (a média parece que estava na casa de quatro por minuto, no último balanço). Eu prestava mais atenção nos "estratégia de marketing", cuja definição é: tudo. Isso mesmo: tudo é estratégia de marketing, até o espirro do vendedor. Mas confesso que tentei prestar atenção, afinal, haveria prova e alguma coisa eu teria que repetir.

Transparências nunca me pareceram material ideal para estudo de coisa qualquer. Sempre entendi que o objetivo delas é simplesmente ajudar o professor a, primeiro, seguir um roteiro e, segundo, não se perder nele - coisas que, aliás, qualquer anotação resolveria, sem o inconveniente de provocar sono: penumbra somada ao blá-blá-blá e conversas paralelas uníssonas, ah, é mais eficiente que Dormonid!

Mas voltemos às transparências. Eis, ipsis litteris, algumas das frases: "Produto muito caro, geralmente o cliente gosta de conversar com o vendedor ou testar o produto", "Para atingir o sucesso do marketing via internet, será maior em grandes centros urbanos em vários países com avançada infraestrutura de internet" e "Se o Marketing, utiliza o usuário da internet, como mercado alvo, suas chances são bem maiores para o sucesso". Pelamordedeus...

Hora da prova, operação preparar a cola! Fiz, sim, questão de copiar nela - a cola - toda a profusão de vírgulas, concordâncias claudicantes e frases sem verbo que encontrei. E assim repeti: igualzinho. Levei oito. Errei duas questões de múltipla escolha que não reproduzo aqui por uma questão de educação.

Tempos depois...

Soube oje que aquele profeçor que abuzava da fauta de concordânssia e de frazes sem verbo foi demitido da univercidade. Diceram que ele acinou a demição e çaiu chingando.

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