Sua Voz

Balanço final:

Como ensinar cartografia nas aulas de geografia?

Janaína Eliza Fadel

Professora MSc. da Fundação CECIERJ

No final de cada ano, geralmente as pessoas se reúnem e fazem a retrospectiva do ano que passou. Tudo vai para a balança da vida, os saldos positivos e os saldos negativos. Em time que está ganhando, nada (ou quase nada) é modificado. Entretanto, quando algo que planejamos não sai a contento, paramos e pensamos: o que poderá ser feito para que os problemas não se repitam?

É com este pensamento que venho fazer o balanço e o fechamento do curso "Como Ensinar Cartografia nas Aulas de Geografia?", oferecido em novembro/dezembro de 2003, pela Fundação Cecierj.

O curso foi muito produtivo, não só para os professores de Geografia/História que vieram se aprofundar um pouco mais na temática, como também para mim. Efetivamente senti uma grande interação por parte dos "professores/alunos" comigo e principalmente entre eles no decorrer das aulas. Este talvez tenha sido o saldo mais positivo, uma vez que houve uma grande troca de experiências e sugestões diferentes para se aplicar os assuntos tratados ao longo do curso.

Um bom exemplo desta interação foi o fato de uma professora de História achar que os conhecimentos adquiridos através das atividades práticas não seriam aplicados em suas aulas. Então, um outro professor sugeriu a análise da ocupação humana, sob uma vertente histórica através das maquetes, que representariam as elevações de nossa cidade.

E quem disse que mapas e cartografia não podem ser utilizados nas aulas de História? Um território muda com conquistas e perdas e isto é muito bem representado pelos mapas, não só na Geografia, como também na História!

No primeiro encontro foi informado aos professores que o curso iria tratar sucintamente de algumas temáticas da cartografia. Todas elas apresentaram atividades práticas, não foi apenas um curso teórico. Afinal de contas, por experiência própria, quando um professor "corre atrás" de um curso de aperfeiçoamento ou extensão seu objetivo principal é saber como aplicar concretamente em sala de aula a fundamentação teórica.

O primeiro encontro serviu para ambientar os cursistas sobre dois eixos que podem ser trabalhados em cartografia na sala de aula (Simielli, 1999): o aluno como leitor crítico de mapas e o aluno como mapeador consciente. Na verdade, nenhum eixo é mais importante do que o outro ou é o correto. Ambos são importantes, uma vez que o professor irá sempre trabalhar o mapa conscientemente e não apenas como mero desenho, onde o aluno seria apenas um reprodutor de mapas.

O segundo encontro foi uma atividade mais voltada para os cursistas do que para seus alunos nas respectivas escolas. A temática foi escalas, que é vista pela maioria dos professores como a grande vilã da Cartografia. Isto porque muitas vezes o próprio professor de Geografia não tem uma relação muito boa com cálculos e números e, assim, tende a fugir deste assunto nas suas aulas. Após a explanação e os exercícios práticos, houve uma melhora significativa na compreensão deste assunto.


Nessa foto observamos dois grupos da turma de quarta-feira (manhã) começando a elaborar suas maquetes. O processo utilizado foi recortar o papelão de acordo com as curvas de nível e colar no mapa-base cada uma das camadas, formando as elevações de terreno.

O grupo de terça-feira preparando a próxima etapa: cobrir com farinha o papelão e posteriormente cobrir com o jornal molhado, formando as elevações.

Estou com o grupo de Saquarema que assistiu ao curso na terça à tarde. Só faltou a tinta rosa para concluir a maquete.

Outro grupo de terça feira, dando os retoques finais em sua maquete.

Nessa foto temos o grupo da turma de quarta-feira reunido. Também estavam presentes professoras de Saquarema, professores de Campo Grande, Bangu e de outras partes do Rio de Janeiro.

A partir da terceira aula, todos os encontros foram práticos. Em cada novo encontro todos (inclusive eu) colocaram a mão na massa, literalmente! A aula de projeções foi dada com garrafas de coca-cola, simulando a metade de um globo terrestre. E as aulas destinadas à confecção das maquetes também deram o que falar, como pode ser visto nas fotos abaixo.

No último encontro cada cursista apresentou um relatório, onde indicava os pontos positivos e os pontos negativos do curso. Como pontos positivos foram destacados, principalmente: o encaminhamento das atividades; a interação entre os cursistas; o esclarecimento das dúvidas levantadas; a retomada do assunto anterior (através de atividades realizadas em casa); e o tempo de debate no início de cada encontro, entre outros elogios. Quanto ao ponto negativo, houve uma unanimidade: todos apontaram que a carga horária poderia ser maior, mas que mesmo isto não fez o curso perder sua essência.

O tempo total até poderia ser ampliado, mas o mais gostoso nesta vida é quando fica aquela vontade de quero mais... Assim, todos chegamos satisfeitos ao final do curso, prontos para uma nova empreitada.

Os cursistas relacionados a seguir entregaram seus relatórios, que serviu de base para a conclusão deste texto: Paulo Afonso dos Santos Nascimento, Paulo Gomes de Lima, Rafael Bueno Aires, Maurício Souza dos Santos, Mônica Moreira, Julimar F. P. Menezes, Josiane da Silva Galaxe, Eliana Cadena Reis, Cleber Dias Moreira, Andesron Machado Dantas, Ana Lucia da Silva, Adriana Freitas Moraes, Ana Paula M. Faria, Maria José B. Rocha, Nanci G. de Souza Gomes, Renata S. da S. Santos.