Substantivo

Substantivos são palavras que nomeiam lugar, bicho, coisa, pessoas, sentimentos, etc.

A definição acima foi retirada de um livro didático direcionado à 5ª série – Linguagem Nova, de Faraco e Moura. No capítulo destinado ao tópico em questão, observa-se que, após definir os substantivos, passa-se a classificá-los. Afora as questões habituais que cercam todo tipo de conceituação, o que mais chama a atenção na que acabamos de ler é a presença do “etc.” Afinal, se estamos conceituando, precisamos delimitar o objeto de nossa conceituação, não é verdade? Mas vejamos o que nos diz um outro autor – Francisco Savioli -, agora direcionando seu discurso a um público já adulto – ou seja, nós – em seu livro Gramática em 44 lições:

Substantivo é a classe de palavra que:

Exemplos: aluno, casa, pedra, cavalo, Deus, diabo, Pedro, Brasil, povo, etc.”

Pelo que podemos observar, o autor parte do pressuposto de que as noções do que seja semântica, morfologia e sintaxe estão prontas no leitor, o que não é necessariamente verdade. Além disso, a definição do ponto de vista semântico pode criar certa confusão, pois se o substantivo designa seres, como pode também designar coisas? E também o recorrente “etc”, estaria incluído entre os seres? Com relação ao ponto de vista mórfico, será que podemos deduzir que só os substantivos têm masculino e feminino, singular e plural? E o que será uma palavra modificadora?

Enquanto você vai pensando, vamos continuar a ver o que mais se diz sobre os substantivos.

Em nossa primeira fonte – o livro didático – o capítulo sobre substantivos segue da seguinte maneira:

As palavras bando, matilha, cardume são substantivos comuns, mas têm uma característica especial: nomeiam um conjunto de seres de uma espécie. São substantivos coletivos.

As palavras roda-gigante, asa-delta e espada-de-são-jorge são substantivos compostos. As palavras roda, asa e espada são substantivos simples.

Os substantivos homem e mulher são substantivos comuns. Já os substantivos Quixote e Dulcineia são próprios, porque nem todo homem nem toda mulher têm esses nomes.

Primitivos Derivados
sopa sopeira
peixe peixeiro, peixaria

Nessa continuação, é possível dizer que a conceituação deu lugar à simples assertiva, ou afirmativa, sem maiores explicações. Vejamos o que nos diz a gramática de Savioli que estamos consultando:

Subclassificação:

Próprio o que designa um único indivíduo de um conjunto. Exemplos: Pedro, Minas Gerais, França.
Comum o que designa qualquer elemento de um conjunto da mesma espécie. Exemplos: aluno, país, casa.
Coletivo é o substantivo comum que, com forma singular, designa um conjunto de elementos. Exemplos: boiada, povo, dinheirama (...)
Concreto o que designa o ser tomado em si mesmo, com existência própria, independente de outros. Exemplos: casa, mesa, sofá, saci, fada, alma.
Abstrato o que designa qualidades, ações ou atributos dos seres, concebidos como se eles existissem em si mesmos, apartados (abstraídos) dos seres que os suportam. Exemplos: beleza, crueldade, demolição, sofrimento.

Quanto à formação, o substantivo pode ser:

Simples formado de um único elemento. Exemplos: casa, pé, árvore.
Composto formado de mais de um elemento. Exemplos: pontapé, couve-flor, aguardente.

Diante do que lemos até agora, a primeira questão que se coloca para nós é a seguinte: é possível que um aluno consiga identificar um substantivo partindo, simplesmente de sua conceituação? Uma outra questão diz respeito à funcionalidade que a conceituação pode ter, ou seja, o aluno usa melhor o substantivo depois de ter tomado conhecimento de sua definição?

Essas questões serão retomadas, mas é importante que comecemos a pensar sobre tudo isso a partir de agora. O questionamento a respeito da eficácia desse tipo de abordagem é a ponta de lança de nossos objetivos. Assim, vamos continuar com as classes designadas pelos gramáticos. Depois do substantivo, os livros falam, invariavelmente, do adjetivo.

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