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Seminário Caminhos para uma Educação Democrática: Lei 10.639/03 foi sucesso no Rio de Janeiro

Luiz Carlos Semog

Secretário executivo do CEAP

No dia 12 de agosto, o auditório do Palácio Gustavo Capanema, do MEC, no Centro do Rio de Janeiro, recebeu professores, representantes da Petrobras e da Secretaria de Educação (Seeduc) no seminário Caminhos para uma Educação Democrática – Lei 10.639/03. O evento, realizado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), era voltado para docentes dos Ensinos Médio e Fundamental, a fim de desenvolver o tema do Concurso de Redação 2011: Luiza Mahin: uma rainha africana no Brasil e refletir sobre a Lei 10.639/03, que institui o ensino das histórias da África e da Cultura Afro-brasileira nas escolas do País.

Educadores inscreveram suas escolas e participaram de debates e esclarecimentos sobre o tema, que faz parte de mais uma etapa de implementação da lei. Marcaram presença também Rodrigo Nascimento, da Fundação Palmares, e o coordenador da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Amauri Silva.

A mesa de abertura foi composta pela representante da Secretaria de Educação, Silvia Cruz Araújo Santos; pelo gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, Luís Fernando Nery; pelo conselheiro estratégico do CEAP, Ivanir dos Santos; pelo secretário executivo do CEAP, Luiz Carlos Semog; e pela coordenadora do seminário, professora Azoilda Loretto da Trindade.

Silvia Cruz destacou a satisfação em participar do projeto e a resposta significativa que a Seeduc espera para esse trabalho nas escolas. “As redes não estão efetivamente trabalhando com a lei. O caminho é muito longo. Nossas escolas têm respondido bem à iniciativa, e nós vamos acompanhar esse trabalho”, afirmou.

Fernando Nery lembrou os cinco anos de parceria da Petrobras com o CEAP e disse que a união tem motivos para ser comemorada. “Apesar das dificuldades, o projeto já ultrapassou as fronteiras do estado. Vivemos um momento de fortalecimento das lutas sociais. Isso tudo é importante para a construção da cidadania no Brasil”, disse.
Para Azoilda Trindade, a luta é árdua, mas está de corpo inteiro nela. “É uma luta de compromissos. Este auditório está lotado de gente comprometida, gente que faz”.

Valorização

Ivanir dos Santos explicou que o Concurso de Redação Camélia da Liberdade valoriza a cultura africana e dos afrodescendentes, além de promover o debate com a sociedade sobre as desigualdades dos milhões de negros que vivem no Brasil. “Mais do que alavancar novas políticas públicas para diminuir tais diferenças, é importante entender o passado e a rica história para disseminar o conhecimento”, disse Ivanir, que agradeceu também a parceria da Petrobras. “É quem mais tem nos apoiado na implementação da lei. Ela sempre esteve do nosso lado nos momentos mais difíceis”.

Semog disse que a intenção do CEAP é bater o recorde de inscrições com o tema Luiza Mahin. “Acreditamos que somente a implementação da Lei 10.639/03 nas escolas deste País possibilitará a amplitude de conhecimento histórico. É ela que institui o ensino das histórias da África e da Cultura Afro-brasileira em salas de aula, e o concurso é uma grande oportunidade para as instituições de ensino perceberem uma vocação de milhares de alunos", ressaltou.

A autora do caderno e da revista em quadrinhos sobre a trajetória de Luiza Mahin, material utilizado no concurso de redação, professora Aline Najara da Silva Gonçalves, e o cartunista Ykenga, responsável pela ilustração da história em quadrinhos que será trabalhada com alunos do Ensino Fundamental como projeto-piloto no Rio de Janeiro, formaram a mesa seguinte para apresentação dos trabalhos e debates do tema.

Aline falou da trajetória da heroína africana e da satisfação que sentiu ao fazer esse trabalho junto ao CEAP. “Estou muito satisfeita por trazer esses heróis negros que ficaram esquecidos na história. Luiza Mahin é um símbolo para o negro, ela não só existiu como ainda existe”.

Ykenga acredita que a escola deveria fornecer elementos capazes de despertar a imaginação das pessoas, pensar numa interação entre a arte e os jovens, como o uso das artes gráficas na elaboração de conteúdo.

Os professores Amauri Pereira e Helena Theodoro se apresentaram na mesa Consolidando práticas democráticas: História e cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares. Helena Theodoro falou sobre o racismo no Brasil (“que ainda é muito grande”), da cultura “nok”, da tecnologia e início da metalurgia na África, entre outros temas. “A herança cultural do nosso povo é basicamente negra. Por isso, o ensino deve ser obrigatório, e não porque a lei permite. Temos que transferir isso para as escolas, mostrar isso para as crianças”, afirmou.

Amauri Pereira falou sobre a trajetória do Movimento Negro, do teatro e outros temas: “A iniciativa do CEAP é rara, de democratização do conhecimento”.

Da mesa-redonda Diálogos com a Lei 10.639/03, última do seminário, participaram, com o tema Filosofia, o professor Renato Nogueira; com os aspectos pedagógicos, Azoilda Trindade; e, sobre intolerância religiosa, Ivanir dos Santos.

Renato Nogueira discorreu, entre outros temas, sobre a filosofia Ubuntu. “Racismo epistêmico é a desqualificação intelectual dos povos não europeus, atrelada a uma injustiça cognitiva. A globalização em termos filosóficos é uma tentativa de comoditização da vida”, disse.

Para Azoilda, o desafio é “ler” o mundo de outra maneira – e não como a maioria quer que você leia. “Ter o direito de desenvolver a liberdade de ver e perceber novas perspectivas de visão de mundo”.

Ivanir dos Santos falou sobre a intolerância religiosa e afirmou que a negação da implantação da Lei 10.639/03 é uma forma de dar continuidade ao racismo. “Não querer mostrar que o Criador iniciou sua obra na África é prova exatamente de que querem manter as coisas como elas estão. Não podem esconder que o negro não foi somente escravo. É essencial mostrar como contribuiu culturalmente e, principalmente, como a religiosidade está presente até mesmo no que não querem ver”.

Ao final, todos os participantes do seminário tiraram dúvidas e debateram com os componentes da mesa.

Premiação e incentivo

O Concurso de Redação Camélia da Liberdade dá ao vencedor um notebook e uma impressora multifuncional jato de tinta. À sua escola, um laboratório de informática com dez computadores. Para o segundo colocado é oferecido um microcomputador e uma impressora multifuncional; ao terceiro colocado, um microcomputador e uma impressora simples.  Os professores orientadores dos alunos vencedores também são premiados: o primeiro lugar recebe um tablet; o segundo, um notebook; e o terceiro, um iPod.
Como incentivo, o CEAP publicará um livro com as 30 melhores redações de cada estado; o livro será entregue aos autores e a suas respectivas escolas durante o lançamento da próxima edição do concurso de redação.

Novos seminários

Esse evento, que marca a quinta edição do Concurso de Redação Camélia da Liberdade 2011 – lançado em 30 de junho pela internet –, foi realizado dia 15 de julho, em São Paulo. No Estado do Rio de Janeiro, a equipe do CEAP se coloca à disposição das diretorias regionais pedagógicas da Seeduc para realização de reuniões com os professores para falar sobre a participação das escolas no Concurso de Redação.
Alguns encontros já estão marcados, e acontecem sempre das 9h às 18h. São eles:

Dia 25 de agosto: Vassouras

Colégio de Aplicação - Auditório do CAP/USS
Rua Dr. Fernandes Junior, 89, Centro
Do CEAP estarão presentes: Luiz Semog, Ivanir, Ykenga, Pricilla, Naíra, Maurício, Mara, Jorge Damião e Vania Lima.

Dia 30 de agosto: Cabo Frio

Teatro Municipal de Cabo Frio
Av. Aníbal Amador do Vale, s/n – Algodoal, Praia do Forte
Do CEAP participarão: Luiz Semog, Ivanir, Obertal, Naíra, Mara, Ykenga, Pricilla e Mario Rosa.

Dia 31 de agosto: Macaé

Cidade Universitária de Macaé
Av. do Aloízio, 50 – Glória
Do CEAP irão: Luiz Semog, Ivanir, Obertal, Naíra, Mara, Ykenga, Pricilla, Mario Rosa.

O patrocínio do Concurso de Redação e dos seminários é da Petrobras, com parcerias com o Cesgranrio e o Instituto do Negro Padre Batista (de São Paulo). As inscrições para participação dos seminários podem ser feitas pelo endereço do CEAP ou nos locais do evento.


23/08/2011