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Aula de música: Dentro e fora da escola, transformando cidadãos

Tatiana Serra

Descrever a img desde que não seja apenas ilustração

Você sabia que no segundo semestre de 2011 entrará em vigor a Lei nº 11.769, que torna obrigatório o ensino de Música para o ensino fundamental e o médio das escolas públicas e particulares do Brasil? Porém, o objetivo não é somente a formação de músicos, mas também levar informações sobre a história e a linguagem musical aos estudantes.

Os benefícios não param por aí. A disciplina de Música tem papel pedagógico e social, colaborando, por exemplo, para despertar no estudante a vontade de aprender, de interagir com professores e colegas e de permanecer no ambiente escolar. Além disso, o estudo musical pode trazer disciplina, concentração, desenvolvimento da memória e a capacidade de improvisação – tudo de maneira prazerosa. Aos poucos e naturalmente, isso é absorvido pelos alunos, que levam o novo comportamento a outras disciplinas e para toda a vida.

Várias instituições de ensino já entenderam a música como transformadora e vêm fazendo dela uma ferramenta de aprendizagem. Desde abril de 2010, a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro desenvolve o projeto MPB nas Escolas, em parceria com o Instituto Cravo Albin. Segundo a subsecretária de Comunicação e Projetos da Secretaria, Delânia Azevedo Cavalcante, esse é um projeto transversal, de memória e identidade, que leva aos estudantes informações sobre a Música Popular Brasileira – escolhida por ter sua trajetória marcada em vários momentos no Estado do Rio de Janeiro. A partir de um material composto por DVDs e folhetos que contam a história da MPB, desde o final do século XIX até o rock nacional, a música já está sendo levada às escolas, antes mesmo de a lei entrar em vigor.

Dentro de um plano político-pedagógico, sob a orientação dos profissionais de música do Instituto Cravo Albin, a direção de cada escola estadual define o profissional que será responsável pela disseminação da música dentro do ambiente escolar. E esse profissional pode ser especializado em qualquer área, já que o material de introdução da MPB nas escolas foi desenvolvido para ser utilizado como ferramenta de aprendizagem em qualquer disciplina.

Até agora, 879 escolas já receberam o kit com o material; o objetivo é fazer com que até o início de 2011 todas as escolas da rede estadual recebam o material e coloquem o projeto em prática. Os interessados em saber mais sobre o MPB nas Escolas podem acessar o site da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro

Outro exemplo de utilização da música no ambiente de aprendizagem é o projeto Música nas Escolas, desenvolvido pela prefeitura de Barra Mansa, em 2003. Atendendo a todas as escolas da rede municipal, num universo de 22 mil crianças e adolescentes, o projeto oferece iniciação musical para os alunos do pré-escolar e até o 5º ano do ensino fundamental. Do 6º ao 9º ano, as aulas de música estão inseridas na disciplina Educação Artística. As aulas de prática instrumental são realizadas nos diversos polos espalhados pelas escolas da cidade, possibilitando ao aluno o acesso a todos os tipos de instrumento que compõem as bandas e orquestras do projeto. Além disso, todos eles podem chegar ao curso superior de Música, em um convênio firmado entre o projeto e a universidade local. Assim, o projeto vem cumprindo seu papel educativo e social. Para ter mais informações sobre o Música nas Escolas, basta ligar para (24) 3323-8509, (21) 3523-4240, ou enviar um e-mail para contato@musicanasescolas.com.

Música: incentivo seja onde for

Baseado em fatos reais, o filme Orquestra dos meninos, dirigido por Paulo Thiago, conta a história do maestro Mozart Vieira, um jovem que resolve ensinar música para 12 crianças e adolescentes do interior de Pernambuco. Pelo talento e a vontade de tocar, a orquestra dos meninos começou a fazer sucesso ao se apresentar em vários pontos do país e logo levantou a ira dos poderosos da região. Um dos músicos da orquestra foi sequestrado, e o maestro foi injustamente acusado de mandante do crime. Contudo, a grande mensagem passada pelo filme é o poder de transformação da música. Graças ao amor à arte, à determinação de Mozart e a muita dedicação de todos, esses meninos se transformaram em profissionais e hoje todos vivem da música – um incentivo a quem ainda acha que não é possível realizar esse sonho, seja onde for.

Para quem acha que as bandas sinfônicas são coisas do passado, é bom saber que elas estão inclusive sendo recicladas. O Banda Larga é um programa de atualização para bandas de música do Estado do Rio de Janeiro – uma criação da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro em convênio com a Associação de Bandas de Música do Estado do Rio de Janeiro (ASBAM-RJ) e em parceria com as prefeituras municipais. O programa está em sua segunda edição e atua em cinco polos regionais. Em outubro, o programa atuou em Três Rios; em novembro, foi a vez de Cordeiro e Macaé; e, de 29 de novembro a 4 de dezembro, o programa estará em Miracema.

De acordo com o coordenador geral do Banda Larga e da ABAM-RJ, Eduardo Wermelinger, o objetivo é a revitalização das bandas de música com cursos gratuitos da banda em áreas consideradas fundamentais, aumentando o conhecimento musical, teórico e prático dos mestres e instrumentistas. “É uma troca de experiência na qual o programa serve também como capacitação, além de trabalhar a motivação para a continuidade desse segmento e a manutenção da tradição cultural e musical”, afirma ele, lembrando que “os professores, especialistas previamente selecionados e categorizados pelo conhecimento musical, precisam sensibilizar a alma dos regentes e dos músicos de banda. Só assim teremos garantia da continuidade e permanência dessas bandas tocando coisas de amor”.

O Banda Larga tem atraído pessoas de toda as idades, “comprovando a força da arte como fator de inclusão e cidadania”, diz o coordenador pedagógico do programa, Carlos Belém, que vê com bons olhos a inclusão da música também nas escolas, apesar de lamentar sua obrigatoriedade: “Por um lado, lamento que tenhamos de chegar ao ponto de ‘obrigar’ as escolas a oferecer aulas de música, pois essa iniciativa deveria ser espontânea e natural. Já que não é, vejo com muito bons olhos o retorno das aulas de música às escolas, principalmente como um meio de fazer chegar às nossas crianças e jovens a oportunidade de ampliar seu repertório, ou seja, de ouvir mais do que aquilo que a grande indústria de entretenimento lhes ‘empurra’ diariamente”. Para mais informações sobre o Banda Larga, acesse www.asbamrj.com.br, entre em contato pelo e-mail asbamrj@yahoo.com.br ou ligue para (21) 2621-3563.

30/11/2010