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TV Escola

Karla Hansen

Recurso de qualidade nas mãos do professor

Logo que surgiu, em 1995, ainda em caráter experimental, a TV Escola foi alvo de elogios e de críticas, como toda novidade, aliás. Mas, além das opiniões prós e contras havia, na época, um receio de que o canal viesse a substituir o professor em sala de aula. Algo como o robô que tira os empregos de operários das fábricas.

Os porta-vozes do Ministério da Educação se esforçaram, então, desde o primeiro momento, em deixar bem claro que a TV Escola tinha - e ainda hoje tem - como objetivo principal ser um recurso a mais para o professor, para tornar as aulas mais interessantes para seus alunos e, também, para ser uma fonte de atualização permanente para o profissional de educação. A história de dez anos no ar provou que a TV Escola não tirou nada de ninguém, ao contrário, acrescentou mais vida à escola, o que só acontece quando, do outro lado da tela, diretores e professores arregaçam as mangas para tirar do novo recurso o que de melhor ele pode oferecer.

E isso não é pouco quando se compara a programação da TV Escola com as televisões comerciais a que a maioria da população brasileira tem acesso. A programação da TV Escola é, sem exagero, de qualidade superior a muitos canais por assinatura. O canal apresenta vídeos nacionais e estrangeiros, cujo conteúdo não é, necessariamente, didático, no sentido restrito do termo, mas educativo, quando se pensa educação em seu significado mais amplo e universal. Afinal, o canal do MEC oferece a possibilidade de ver e de conhecer produtos audiovisuais contemporâneos, interessantes, instigantes, vindos de todas as partes do mundo, sobre os mais variados assuntos e realizados a partir de diversas abordagens.

Fazem parte da programação do canal: documentários que abordam temas sociais, relacionados ao meio ambiente, à saúde, à história do Brasil, à história universal; séries de filosofia, literatura, arte, cultura popular; além de filmes e vídeos de animação para crianças e jovens; e também séries de programas mais voltadas para o currículo escolar, nas áreas de matemática, língua portuguesa, ciências, história e geografia, entre outras. Ainda assim, dentre esses vídeos mais dirigidos para o currículo, muitos se destacam pela criatividade e pela qualidade, tanto no conteúdo como na forma.

É o caso da série "Brasil 500 anos: um novo mundo na TV", que narra, com olhar crítico e bem-humorado, os principais episódios de nossa história - desde o descobrimento até a última eleição para presidente. A série se vale da dramatização com bonecos para reproduzir os principais acontecimentos, os personagens, e o cotidiano nos diferentes períodos da história brasileira, mostrando, ainda, um amplo painel sociocultural de cada época. A série, produzida pela TV Escola em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco, de Pernambuco, é uma das produções de maior sucesso do canal.

Vale a pena citar também o programa "Salto para o Futuro", único momento em que a TV Escola abre espaço para a participação direta do telespectador, por meio de telefone, fax e e-mail. O programa é "ao vivo", reúne educadores e especialistas para debaterem temas pertinentes à teoria e à prática educacional do professor brasileiro e responderem a perguntas dos participantes.

Segundo dados oficiais da Secretaria de Educação a Distância do MEC, a TV Escola está em 39.634 escolas públicas em todo o território nacional, o que equivale a 65% da rede pública de ensino do Brasil. Isso significa que essas quase 40 mil escolas estão equipadas com o "kit tecnológico", distribuído pelo Ministério da Educação, composto de antena parabólica, decodificador, televisão, aparelho de videocassete e fitas de vídeo (VHS). Atualmente, além das escolas, milhares de lares brasileiros têm acesso à TV Escola, por intermédio da assinatura de uma das três operadoras de sinal digital, no Brasil: a Directv, a Sky e a Tecsat.

A aquisição e instalação do "kit tecnológico" não quer dizer, no entanto, que todas essas escolas façam uso pleno ou parcial do canal. E entende-se por "fazer uso" não apenas assistir aos programas, mas também gravá-los em fitas VHS e, se possível, organizá-los numa videoteca. Sabemos de muitas escolas em que o equipamento não funciona ou que, apesar de funcionar, não existe um profissional responsável pela gravação dos programas ou pela montagem da videoteca. Por outro lado, também existem inúmeros registros (inclusive em vídeo) de experiências, em todo o país, de que a TV Escola deu bons frutos, sendo bem aproveitada como recurso que potencializa o projeto pedagógico da escola, expandindo os limites curriculares e, por vezes, chegando mesmo a envolver toda comunidade.

O que essas experiências nos mostram, tanto as bem-sucedidas, quanto as que não deram bons resultados é que não basta que a escola tenha o equipamento e possa receber o sinal da TV Escola. O canal de televisão do MEC pode até ser um ótimo recurso, de boa qualidade e com ótimas intenções, mas para que atinja seu objetivo, é preciso ter gente, do outro lado da televisão, para dar sentido a toda essa parafernália técnica e ao conteúdo veiculado. E é assim com qualquer outro recurso tecnológico: são as pessoas, com seus desejos, com suas vontades, com seus projetos que fazem a diferença, para o bem ou para o mal.

Para saber mais sobre a TV Escola e sua programação, acesse o site do canal ou entre em contato com a coordenação da TV Escola, no estado do Rio de Janeiro, pelo telefone (21) 2299 3782 ou pelo e-mail taniabarbosa@educacao.rj.gov.br.

Consulte, também, na busca do Portal da Educação Pública, outras matérias sobre a TV Escola.

1/8/2005