Jornal
Notícia

Resultados da 1ª Olimpíada Brasileira de Biologia

Leonardo Soares Quirino da Silva

Quatro primeiros vão para a 16a olimpíada internacional na China

Os prêmios para os 100 primeiros colocados na 1a Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) serão entregues no dia 6 de julho no Centro de Ciências da Saúde da UFRJ, onde os competidores brasileiros farão treinamento para a parte laboratorial da prova internacional. A Olimpíada foi organizada pela Associação Nacional de Biossegurança, com apoio, entre outros, dos ministérios de Ciência e Tecnologia e de Educação e das universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Ceará (UFC).

Essa é primeira vez que o Brasil envia uma delegação à Olimpíada Internacional de Biologia, cuja sigla em inglês é IBO, que se realiza há 15 anos. Cada ano, um país diferente sedia as provas. A 16a olimpíada será em Beijing, China, entre os dias 10 e 17 de julho.

Até este ano, a Argentina era o único país da América do Sul a participar da competição internacional. Há dez anos os argentinos enviam delegações ao evento. A 17a OIB será realizada naquele país, em Rio Cuarto.

Participação brasileira

A delegação brasileira será composta pelos quatro primeiros colocados da 1a Olimpíada Brasileira - os vencedores foram selecionados entre cerca de sete mil participantes, dos 16 estados onde a prova foi realizada -, e pelos professores Rubens Oda, da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), e Paulo Paiva, do departamento de Zoologia do Instituto de Biologia (IB) da UFRJ.

Minas na frente

Os dois primeiros colocados vêm de Minas Gerais, são: Flávia Abranches Corsetti Purcino Leandro Amaral Castro e Silva. Ambos fizeram 94 pontos. Marcelo Pinho Pessoa Vasconcelos e Raphael Matheus de Souza M. Lopes, do Ceará, são os outros dois membros competidores da delegação. A exemplo dos mineiros eles também tiraram a mesma nota. Fizeram 93 pontos.

A realização da olimpíada foi muito bem recebida no Ceará, que já realiza uma olimpíada estadual de biologia há cerca de 10 anos. Essa experiência garantiu que dois dos quatro membros da delegação fossem daquele estado.

Concentração

Segundo o professor Rubens Oda, os vencedores irão receber treinamento para provas práticas e teóricas entre os dias 4 e 8 julho no IB/UFRJ. Dentro da competição internacional, as partes prática e teórica têm o mesmo peso.

Além de outros países terem fases para preparar seus representantes para a OIB, Rubens observa ainda, que o treinamento no IB/UFRJ pretende familiarizar os alunos do ensino médio com a parte laboratorial da biologia, que costuma ser deixada em segundo plano no Brasil.

Na parte prática, a olimpíada na China prevê a realização de testes de biologia molecular, zoologia, botânica e citologia/histologia.

Os estudantes serão treinados no uso de protocolos, normalmente, empregados em instituições de nível superior, assim como aprenderão a usar equipamentos com espectrofotômetros e microscópios. Protocolo é o nome dado a um conjunto de procedimentos padronizados empregados na execução de um teste em laboratório.

Segundo o professor, na 15a OIB, houve uma prova em que os alunos tiveram que usar um espectrômetro para acompanhar uma reação química, mas dentro de uma prática bastante didática. O espectrômetro é um equipamento que mede as intensidades das radiações emitidas ou absorvidas pelos sistemas em análise.

Ainda sobre a importância de familiarizar os participantes com o uso desses equipamentos, Rubens lembra a história de competidor indonésio na 15a OIB, em Brisbane, Austrália.

Aparentemente, o representante da Indonésia não sabia como realizar a prova e, para saber como, alegou que o microscópio estava quebrado. O monitor realizou o procedimento para verificar a situação do equipamento, o que foi suficiente para o indonésio aprender como fazer.

Anbio, Olimpíada e Organização

A organização da olimpíada pela Anbio foge do padrão das outras provas nacionais, geralmente organizadas por sociedades científicas. Rubens observa, contudo, que a iniciativa se integra às atividades de divulgação científica da Instituição. A Anbio tem site e publicações voltadas para estudantes e o jogo "Cidade da Segurança", para aprender sobre biossegurança.

Este ano, a Olimpíada Brasileira de Biologia consistiu na aplicação de um teste com 120 questões sobre célula, tecidos, seres vivos, fisiologia animal e vegetal, genética, evolução e ecologia.

Seguindo o modelo da prova internacional, 60% da prova era composta de questões interpretativas e 40% de questões objetivas. Os participantes tinham cinco horas para responder as perguntas.

Dentro um ano ou dois a intenção dos organizadores, segundo o Rubens, é realizar a prova em duas etapas. A primeira em outubro e a segunda em abril. O professor observa que o fato de as olimpíadas serem realizadas no meio do ano prejudica os alunos do Hemisfério Sul. Estes vão para prova tendo estudado metade do conteúdo que um colega no final do ensino médio dos países do Norte. A razão disso é que o ano letivo naquela parte do planeta começa em setembro e termina em junho.

Para realizar a primeira OBB, o organizador, professor Rubens Oda, participou como observador da 15a Olimpíada em Brisbane, na Austrália, em julho do ano passado.

13/6/2005