Pela Internet
Site da vez

Rede Saci

Informação e tecnologia a serviço dos portadores de deficiência

Karla Hansen

Imagem da página inicial do site
http://www.saci.org.br

Quem não se lembra do Saci Pererê, personagem do folclore brasileiro que foi eternizado por Monteiro Lobato? Pois bem, é o garoto negro, esperto e bem-humorado de uma perna só, que viaja num rodamoinho, que inspirou e batizou o site da vez, dessa quinzena. É a Rede Saci, um ponto obrigatório para o navegador atento às questões de inclusão social do vasto mundo virtual. Ela integra uma rede de entidades altamente respeitáveis como a Universidade de São Paulo (USP), a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a organização não-governamental Amankay Instituto de Estudo e Pesquisa, e colaboradores como Fundação Telefônica, Vitae, Instituto Ethos, entre outros. Na Saci, eles reúnem esforços para melhorar a vida dos portadores de deficiência no Brasil que, segundo dados do último Censo do IBGE, são 24,5 milhões de pessoas, 14,5% de toda a população brasileira.

À primeira vista, o navegador aporta a uma terra em que é recebido por letras grandes e generosamente dispostas na página, de cores contrastantes (experimente aumentar a fonte de sua escrita digital para 22 e aplique o negrito sobre ela. É por aí). Você vai começar a entender um dos princípios fundamentais, difundidos e praticados pela rede Saci, o conceito de  acessibilidade. Você sabe o que é acessibilidade? A rede apresenta a definição universal, quando se trata de acessibilidade física e acessibilidade digital. A primeira é definida como a "garantia de mobilidade e usabilidade para qualquer pessoa em todos os espaços". E quando o caso é de acessibilidade na rede, essa garantia de mobilidade e usabilidade se refere aos recursos oferecidos pelo computador. Repare que os dois conceitos não falam em acessibilidade referindo-se apenas aos portadores de deficiência, mas a qualquer pessoa. Dizendo de outra maneira, eles se referem à inclusão social e digital de todas as pessoas, inclusive daquelas que se encontrem, por qualquer razão, excluídas de exercer a sua cidadania.

Continuando na exploração da rede, você vai saber e apurar ainda mais seus conhecimentos sobre acessibilidade, deficiência, educação e trabalho. Cada um desses tópicos são chamados de "canais temáticos" e tem uma página própria, que pode ser acessada de qualquer lugar do site. Nelas, pode-se encontrar informações específicas, voltadas tanto para pessoas portadoras de deficiência, quanto para todos os que estiverem, de alguma forma, interessados ou envolvidos com o tema, sejam especialistas ou não.

Na temática "trabalho", por exemplo, há o "observatório", uma região do site que tem o objetivo de aprofundar questões relacionadas a trabalho e deficiência, a partir de pesquisas e experiências práticas realizadas no Brasil. O "observatório" apresenta uma lista dessas questões, que reúnem notícias e artigos publicados no site e em outros meios de comunicação, sobre mercado de trabalho, direitos, contratação etc., além de abrir espaço para cadastro de currículos, divulgar vagas oferecidas por empresas, enfim, estabelecer uma ponte entre profissionais e empregadores, visando à inserção de pessoas portadoras de deficiência no mundo do trabalho. Ainda neste canal temático, o site conta com a colaboração de "observadores voluntários", que tanto podem ser pessoas jurídicas, e aí estão entidades como o Centro de Integração Empresa Escola, o CIEE, o Instituto Ethos e a APAE-SP, entre outras, quanto pessoas físicas, para as quais está aberto o cadastro.

Voltando à página de apresentação da rede, encontramos as últimas novidades, notícias fresquíssimas relativas ao universo de interesse do visitante. Apontando o cursor para a esquerda, encontramos a coluna "navegação", com mais de 15 itens, entre notícias, artigos, eventos, concursos, classificados, dicas, espaço para opinião, denúncia e depoimento, além de um especialmente voltado para a imprensa. Esta seção se preocupa em orientar jornalistas e formadores de opinião, cuidando para que esses profissionais, ao abordarem o tema, evitem o uso de "termos inadequados, ultrapassados e que acentuam a visão preconceituosa", mesmo que na melhor das boas intenções. O site dá dicas sobre como tratar o assunto, além de fornecer release, pesquisa e dicas sobre como se expressar e agir frente à deficiência, reconhecendo a importância e a responsabilidade dos meios de comunicação para a difusão e o esclarecimento da causa. "Uma sociedade mais bem informada é um enorme passo na direção da inclusão", dizem.

Além de estabelecer conexões via internet, a rede Saci também se faz presente no mundo concreto, pelos Centros de Informação e Convivência (CICs), 4 em São Paulo e 2 em Minas Gerais, que facilitam o acesso de pessoas que não têm computador em casa, oferecendo gratuitamente navegação na rede e cursos de capacitação em locais adaptados para portadores de todos os tipos de deficiência.