As
regiões do Mid-Atlantic (New Jersey, New York e Pennsylvania) e da New England
(Massachussets), se constituíram no núcleo inicial, mais importante, da
produção dos primeiros computadores elétricos à válvula nos EUA. A concentração
de investimentos governamentais militares e de empresas como: IBM, General
Electric e Silvanya, em New York; RCA, em New Jersey, e a presença de grandes
laboratórios como AT&T-Bell, Western Electric e da University of
Pennsylvania, em New Jersey, constituíram os fatores decisivos para a maturação
regional das indústrias de computadores e semicondutores no nordeste dos EUA.
As
duas primeiras décadas da história dos primeiros computadores eletrônicos,
podem ser caracterizadas como o período dos grandes computadores (mainframes).
A
maioria dos grandes computadores produzidos no período, que se estende de
meados dos anos 40 até o início dos anos 50, eram não comerciais, e foram
utilizados pelo governo americano, além dos fins militares (BRETON,1987:124),
para o censo, cálculos financeiros, administrativos e estatísticos, e, também,
para fins científicos. Os custos desses mainframes eram bastante
elevados, sua produção requeria o emprego de muito trabalho e os métodos de
organização, conservação e transcrição dos dados por cartões perfurados, eram
feitos por meio de técnicas de tradição originada no final do século XIX. Estes
conteúdos e fatores explicam, em parte, o porquê da preexistência de grandes
investimentos estatais, unidades fabris e laboratórios, como requisitos
estruturais de sua produção.
Como
os investimentos em pesquisa básica para a criação do primeiro computador
eletrônico foram provenientes, na sua grande maioria, de recursos governamentais,
a exploração e a expansão do processo de comercialização definitiva desses
computadores só aconteceu no início dos anos 60, por motivos "estratégicos e
militares". E é só no final dos anos 70 que os microcomputadores entram em
cena, do ponto de vista comercial (DORFMAN,1987:43), ou seja, o caráter
inovativo, em termos de usos e comercialização, da invenção dos computadores só
emerge duas décadas depois de sua aparição.
O
surgimento do primeiro computador eletrônico digital da chamada Primeira Geração
Tecnológica foi concebido em 1939 por John Vincent Atanasoff, professor de
física, e Clifford Berry, seu assistente, ambos do Iowa State College, que o
chamaram de Atanasoff-Berry Computer ou ABC. Este computador foi desenhado para
solucionar equações algébricas lineares (BITTER, 1984:33).
Em
1944, a partir do rápido desenvolvimento da eletrônica, um grupo de cientistas
da Universidade de Harvard e da IBM, liderados por Howard Aiken, conceberam o Harvard's
Automatic Sequence-Controlled Calculator -- o Mark I, um computador que
funcionava com tecnologia e instrumentos eletromecânicos. Sua programação e
suas instruções eram efetuadas por intermédio de fitas de papel gravadas ou
codificadas. O Mark I levava 6 segundos para multiplicar
dois fatores de 10 algarismos.
Em
1946, tomando como base um exótico experimento eletrônico criado por Atanasoff
& Clifford Berry, o "functional prototype electronic adder", J.
Presper Eckert e John W. Mauchly construíram, no departamento de engenharia elétrica
da Universidade da Pensilvânia, na Philadelphia (FLAMM,1988:31; DORFMAN,
1987:45), a partir dos progressos técnicos na eletrônica, o ENIAC (Eletronic
Numeric Integrator and Calculador), que teve seu projeto iniciado em 1943
(STERN,1981). O ENIAC parecia mais "um monstro",
pesava 30 toneladas, media 170 metros quadrados, possuía: 18.000 válvulas
eletrônicas, 70.000 resistores, 10.000 capacitores e 6.000 interruptores;
trabalhava com sistema de numeração binário; executava cálculos com mais
velocidade que seu antecessor, de 5 toneladas, o Mark I; conseguia multiplicar
dois fatores de 10 algarismos em 0,0003 segundos. As máquinas de calcular de
hoje fazem estes cálculos centenas de vezes mais rápido.
Os sistemas de válvulas eletrônicas, que representou o componente central da Primeira
Geração de Computadores, foram largamente difundidos tanto nos sistemas de
telefonia, como nos de rádios, amplificadores e outros equipamentos eletrônicos
(PRESTOWITZ,1998:123).
Na
época o objetivo principal de construção do ENIAC foi o de auxiliar a produção
de armas, ou seja, este faria os cálculos necessários para a criptoanálise,
confecção de bombas atômicas, cálculos das tabelas balísticas da marinha e dos
primeiros mísseis nucleares. A grande maioria das pesquisas científicas estavam
voltadas para auxiliar a indústria de defesa (FLAMM,1988:38).
Depois
de ajudar a criar o ENIAC, os dois principais responsáveis pelo projeto na
Universidade da Pensilvânia resolveram criar uma empresa, cujo nome era o
produto da fusão dos seus sobrenomes: Eckert-Mauchly Computer Corporation.
A idéia deles era comercializar suas invenções para grandes instituições
públicas e privadas, interessadas em utilizar esta tecnologia para fins estatísticos
e, também, militar. Esta idéia de se tornar um pequeno empreendedor foi
copiada, com sucesso, posteriormente, por inúmeros engenheiros de renome,
oriundos de importantes universidades nos EUA.
Em
1950, a Eckert-Mauchly Computer Corporation adquiriu um contrato para efetuar o
processamento dos dados do recenseamento nos EUA, obtendo uma inserção de
caráter civil da tecnologia por ela produzida. Mas a Eckert-Mauchly Computer
Corporation teve uma vida produtiva muito curta, sendo absorvida ainda nesse
mesmo ano pela Remington Rand.
Estimado
em mais de US$ 500.000, o ENIAC, parecia apresentar problemas de excessivo
consumo de energia e de queima permanente de válvulas, já que quando ele estava
funcionando a temperatura ambiente alcançava 120ºF, ou seja, quase 49ºC. Mais
tarde com a contribuição do matemático húngaro J.V.Neumann, surge o Electronic
Discrete Variable Computer - EDIVAC, o primeiro computador a armazenar, em
forma codificada e com uma nova "arquitetura", dados em sua memória. Os
propósitos tendiam a ser os mesmos, produzir tecnologia para a "defesa" e
cálculos estatísticos e de balística.
O
avanço do hardware prosseguiu com o surgimento do Universal Automatic
Computer - UNIVAC, no início dos anos 50, seis vezes menor, com 5
toneladas, mas ainda com 5 mil válvulas. O UNIVAC foi o primeiro computador a
armazenar programas; sua concepção foi um produto de pesquisas militares
realizadas na Universidade da Pensilvânia durante a guerra (ROSZAK,1986:22). O
desenvolvimento dos UNIVAC foi fomentado pelos contratos com o National Bureau
of Standards and Prudential Insurance, com transferência de patente para a
Remington-Rand (posteriormente Sperry-Rand).
Em
1951, o período de produção comercial dos computadores foi inaugurado pela
Sperry-Rand (desde 1986 Unisys) (CASTELLS,1989:63), com o início da fabricação
do UNIVAC I, o primeiro computador eletrônico utilizado para efetuar o censo
daquele ano, composto de logiciais produzidos por transístor, memória de
núcleos magnéticos e batch remoto.
O surgimento público do UNIVAC "foi um truque dos meios de comunicação" .
O UNIVAC foi emprestado à CBS para previsões das eleições de 1952, e a partir
de 5% a 7% dos votos apurados, projetou a vitória de D.Eisenhower, contrariando
as expectativas dos especialistas, com um erro mínimo estimado em 1% do total
de votos (ROSZAK,1986:22-23).
A Sperry-Rand, em 1954, era a segunda maior empresa em vendas de computadores
digitais nos EUA (ver, Tabela 2). Neste período a IBM era a quarta do
"ranking".
Tabela2: EUA,
Produtores Líderes de Computadores Digitais
1954
|
Empresas |
Total de Vendas
(Milhões $) |
Setor
|
|
RCA |
941 |
Financeiro |
|
SperryRand |
696 |
Financeiro e Científico |
|
BendixAviation |
608 |
Científicos |
|
IBM |
461 |
Financeiro e Científico |
|
NCR |
259 |
Financeiro e Científico |
|
Minneapolis-Honeywell |
229 |
Financeiro e Científico |
|
RaytheonManufacturing |
182 |
Financeiro e Científico |
|
Burroughs |
169 |
Financeiro e Científico |
|
Underwood |
76 |
Financeiro |
|
MoroeCalculating Machine |
30 |
Financeiro |
|
MarchantCalculator (a) |
21 |
Financeiro |
|
Electrodata |
01 |
Financeiro e Científico |
Fonte:Arthur
D.Leite, Inc., with the White, Weld&Co. research department, TheElectronic
Data Processing Industry: Present Equipament, Technological Trends, Potencial Market (New York: White,
Weld&Co, 1956) in FLAMM (1988:82). a.Vendas
efetuadas em 1953.
Mas, em 1955,
quando os criadores do UNIVAC I, J. Presper Eckert e John W. Mauchly,
desapareceram, a hierarquia do "ranking" se alterou, a liderança do mercado de
computadores passou a ser dominada pela IBM, que detinha mais de 70% do valor
dos sistemas em uso em todo o mundo.
A
hegemonia da IBM na produção de computadores foi obtida por duas razões:
primeiro, por ter efetuado pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento,
para atender às demandas estatais de concepção científico-computacionais de
sistemas de defesa, fabricando produtos militares como o "701 Defense
Calculator", ao contrário da sua rival, a Sperry Rand, que preferiu continuar
no mercado de aplicações financeiras; segundo, porque os produtores do UNIVAC
negligenciaram os investimentos requeridos em P&D em novos produtos para
poderem continuar preservando a liderança tecnológica.
A
IBM continuou seus investimentos no mercado militar, e construiu o computador
valvulado o"Bomb-Nav", este último produzido para atender às
necessidades dos B-52 (FLAMM,1988:87) e ser utilizado no sistema de defesa
aéreo (SAGE) e para outros fins militares.
Grande
parcela dos produtores de tecnologia de informação, nos Estados Unidos, do
setor de informática, era mantida pela indústria militar. O aperfeiçoamento da
indústria de defesa, durante o pós-guerra, estabeleceu uma estrutura de
produção e acumulação militar para empresas de Alta-Tecnologia, que gozavam do
privilégio da "estabilidade" sem a concorrência, pois contavam com
"investimentos seguros" custeados pelo Estado, e estavam menos suscetíveis às
oscilações de preço e mercado do que o restante das atividades civis
competitivas.
Depois
do sucesso comercial alcançado pela IBM e da ampliação do seu poder de mercado,
na década de 50, as transformações e as inovações na estrutura do Hardware fizeram
surgir a segunda geração de computadores.
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