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Inovação tecnológica e desenvolvimento da Cibercidade:
O advento da Cibercidade

 
Hindenburgo Francisco Pires
Professor de Geografia/UERJ
hfpires@uerj.br
 
Texto adaptado de uma apresentação na Conferência Internacional Cybercity,
realizada em São Paulo, em de outubro de 2003.
 
Políticas públicas de desenvolvimento das cibercidades e software livre
 
A constituição de cibercidades na rede mundial de computadores e no ciberespaço revela uma outra forma de reestruturação que não é apenas territorial e sim também virtual. A cibercidade inaugura uma outra estrutura virtual e flexível de acumulação do capital financeiro sob a forma digital.

Assim como a economia digital, o capital digital e o consumo digital, a cibercidade constitui uma forma de urbanização digital. O debate está aberto, pesquisas sobre o desenvolvimento do comércio digital e da era digital apontam para temas que já estão começando a chamar a atenção de especialistas.

Apesar da desconfiança, por parte de alguns geógrafos e de uma parcela da comunidade acadêmica, em analisar o ciberespaço e a exclusão digital de grande parte da população mundial, não há porque negligenciar a importância da rede mundial de computadores. O imperativo do ciberepaço e da era digital é um fato irreversível.

Neste sentido, cumpre à ciência geográfica o esforço de investigar, analisar, problematizar e propor políticas públicas para o desenvolvimento da cidade real e da cibercidade.

Na atualidade, o grande desafio do planejamento e do desenvolvimento local de cibercidades consiste em atuar no aprimoramento da reprodução das relações sociais e garantir o pleno exercício da cidadania na era da sociedade da informação.

São enormes desafios a serem enfrentados para a promoção, o planejamento e o desenvolvimento das cibercidades. A favor da exclusão digital estão:
·       os  elevados custos dos serviços tradicionais de telefonia, principal barreira ao acesso à internet;
·       a ausência de provedores de internet nas pequenas localidades e a oferta concentrada nos grandes centros urbanos;
·       os preços dos equipamentos de informática em relação às condições sócio-econômicas dominantes;
·       a ausência de financiamento para a compra de tecnologias de informática e comunicação a professores e estudantes;
·       falta de capacitação profissional para lidar com as novas tecnologias de informação e comunicação (SILVA, 2002).

Apesar de todas estas dificuldades, já é expressivo o número de iniciativas de políticas públicas bem-sucedidas no Brasil. Um exemplos dessas iniciativas é a construção de telecentros no Município de São Paulo (PIRES, 2002b).

O caminho para consolidar um projeto de desenvolvimento "sustentável" de cibercidades passa por construir software de alta qualidade através de uma comunidade de desenvolvedores colaborando globalmente pela internet. A comunidade DEBIAN de software livre representa a experiência global mais avançada nesta direção. Duas importantes distribuições internacionais de software livre emergiram dessa experiência: KNOPPIX, na Alemanha, e a KURUMIN, no Brasil. A arquitetura do produto final, a documentação e todas as versões dos programas baseadas em software livres ficam disponíveis para crítica e melhoramento público, em uma imensa biblioteca pública chamada de GNU. A partir de 1998, este tipo de iniciativa passou a ser respeitada  pelas maiores empresas de tecnologia de informação do mundo, inclusive a Microsoft.

Os resultados observados e medidos foram muito melhores do que os obtidos pelo método convencional, que consiste em reservar para um grupo restrito de empresas as informações do processo de desenvolvimento e do produto final de um software.

A expansão rápida — seguida por uma forte queda — de dezenas de empresas de software entre 1999 e 2001 não afetou a eficácia do método de "código fonte aberto" e hoje praticamente todos os grupos empresariais e acadêmicos que lideram o investimento e pesquisa em software têm uma estratégia definida para open source, mesmo que não seja a única disponível.

Os governos da União Européia, Ásia e algumas agências governamentais norte-americanas buscaram definir claramente, e em alguns casos legalmente, sua participação e benefícios na onda de mudanças em grande escala causadas por esse movimento no ambiente corporativo, que era antes reservado de fato para os softwares proprietários. 

O resultado mais visível foi a participação crescente no mercado do sistema operacional Linux, a predominância do servidor web Apache e a infra-estrutura de rede baseada em padrões abertos implementados em software livre (PIRES, 2002b).

Ainda há muito a pesquisar e desenvolver para que esta mudança de paradigma atinja a maioria de usuários de estações de trabalho e desenvolvedores de aplicações, mas no universo de servidores a convivência (muitas vezes complexa) do software proprietário com o livre já é realidade a ser considerada em qualquer plano de investimento.

No Brasil, diversos projetos estão em andamento para utilização, localização (tradução) e desenvolvimento nesta área e têm auxiliado os governos locais a implementarem sólidos investimentos no planejamento das cibercidades: os Governos do Estado de São Paulo, do Rio Grande do Sul e da Bahia, e as Prefeituras de Campinas, São Paulo, Belo Horizonte, Santo André, Niterói, Recife e Porto Alegre são bons exemplos nesta direção.

O momento oferece uma excelente oportunidade, para adquirir este conhecimento e fortalecer, no Brasil e na América Latina, as bases sustentáveis de uma Sociedade do Conhecimento baseada em software livre, que poderá proporcionar extraordinárias vantagens econômicas, tecnológicas e sociais para o desnvolvimento das cibercidades.
 

Resumo
Introdução
Teoria da Inovação e o (res)surgimento do conceito de inovação tecnológica
O conceito de cidade sob o signo do capital
O surgimento da cidade industrial e inovação tecnológica
"Warfare State" e  o surgimento da Cidade Informacional
O advento da cibercidade e cibercidadania
Políticas públicas de desenvolvimento das cibercidades e software livre
Bibliografia
 

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