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Inovação tecnológica e desenvolvimento da Cibercidade:
O advento da Cibercidade

 
Hindenburgo Francisco Pires
Professor de Geografia/UERJ
hfpires@uerj.br
 
Texto adaptado de uma apresentação na Conferência Internacional Cybercity,
realizada em São Paulo, em de outubro de 2003.
 
O surgimento da cidade industrial e inovação tecnológica
 
A ruptura entre as relações campo e cidade, no início do século XIX, foi impulsionada com o aumento do emprego de tecnologias manufatureiras, na cidade, e pelo alargamento do mercado de sua produção de mercadorias e crescimento da produtividade do trabalho nas indústrias. Mas houve quem preferisse analisar o fenômeno do surgimento da cidade industrial como uma contraposição ao "sistema de equilíbrio" agrário (CHEMETOV, 1986:04-26).

A cidade se transformou no "laboratório" do processo de produção capitalista industrial. A inevitabilidade do urbano passou a ser a inevitabilidade lógica da ascensão do modo de produção capitalista. O domínio e o aperfeiçoamento da produção na unidade fabril precipitaram a produção da esfera local para outras "escalas espaciais" de mercado. A progressão da produção ampliou-se da disputa intraterritorial para a interterritorial.

Com o aumento da produção fabril, a cidade industrial conseguiu ampliar o conteúdo de sua centralidade, expressão antinômica da influência de sua produção (econômica, cultural e política) em relação a outras cidades e ao campo.

A força motriz da centralidade da cidade industrial foi a produção fabril ou manufatureira, que transformou o trabalho artesanal de sujeito e suporte do processo produtivo em mero apêndice ou acessório vivo.

A cidade industrial tornou-se a materialização do trabalho social desenvolvido pela sociedade industrial. A estrutura espacial da cidade industrial se caracterizou pela espacialização e especialização do processo produtivo assentado na divisão territorial do trabalho. O pressuposto da produção foi, além da obtenção do lucro e de mais-valia, a expansão da produtividade, diminuição dos preços dos produtos e salários, redução do emprego (trabalho vivo) e da participação dos trabalhadores na concepção do sistema produtivo, seu crescimento em massa e aumento da competitividade.

Dentro dos padrões de acumulação que fizeram surgir a cidade industrial, "o estágio mais avançado da sociedade industrial é o estágio do consumo de massa" (MASUDA, 1980:51). A verticalização, a densificação e a segmentação do consumo nas cidades industriais, produzidas pelas redes oligopolizadas de produção, distribuição e comercialização, criaram o espetáculo dos néons para a "nova" forma de realização do consumo; as vitrines, o "merchandising" e as lojas são os novos cenários do consumo dirigido pelo "broadcast".

As megametrópoles representam a expressão mais contundente alcançada pelo poder de concentração e centralização exercido pela cidade industrial. Mas assim como as inovações tecnológicas promoveram a formação de tendências contrárias à crise de acumulação capitalista e auxiliaram a expansão das cidades industriais, hoje são os seus idênticos mecanismos que patrocinam o processo de negação dessas cidades.

As mudanças tecnológicas alteraram as relações espaciais entre os lugares, entre as cidades e seus espaços produtivos. A utilização da informática, das telecomunicações e do sensoriamento remoto (com imagens espectrais dos satélites), favoreceram a mundialização e a globalização das relações econômicas e sociais, produzidas pela cidade industrial, o que ampliou as possibilidades de trocas, os fluxos de informações e conhecimento (saber-fazer).

Mas, a presença, nas cidades industriais, de grandes contingentes populacionais (economias de aglomerações), propiciou um forte poder sindical e a persistência de problemas na reprodução de sua estrutura espacial, nos aspectos de:
a) lentidão na realização de serviços (burocráticos, administrativos e financeiros);
b) manutenção dos equipamentos de consumo coletivo;
c) infra-estrutura básica para o pleno desempenho das atividades econômicas e industriais, ligadas à produção de tecnologia militar (mísseis, tanques) e de ponta ("high-tech");
d) crescimento excessivo de taxas, impostos e tributos;
e) ausência dos novos atributos técnicos locacionais para a reprodução das novas formas tecnológicas de produção mais flexíveis.

Foram estes aspectos que parecem ter exercido influência considerável para fomentar uma política dirigida de "desinvestimento" e "desindustrialização" (BLUESTONE & HARRISON, 1982:111-139) das cidades industriais, além de serem os aspectos "lógicos" (BELL,1977:64)  que balizaram, na década dos anos 50, a formação das novas cidades pós-industriais ou informacionais. A reetruturação da lógica acumulativa, no período atual, modificou as antigas formas organizacionais e a composição do capital no espaço.

As formações das novas cidades informacionais resultam também do crescimento de novas relações econômicas e de produção, formadas pela consolidação de novas redes de trabalho entre os espaços. O redimensionamento das ações e processos decisórios permitiram a descentralização e a formação de uma nova "hierarquia urbana" baseada nos novos processos organizacionais de troca de informações e conhecimentos técnicos entre os lugares
 

Resumo
Introdução
Teoria da Inovação e o (res)surgimento do conceito de inovação tecnológica
O conceito de cidade sob o signo do capital
O surgimento da cidade industrial e inovação tecnológica
"Warfare State" e  o surgimento da Cidade Informacional
O advento da cibercidade e cibercidadania
Políticas públicas de desenvolvimento das cibercidades e software livre
Bibliografia
 

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