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É hora de criar um site!

Lorenzo Aldé

Jornalista, Portal da Educação Pública

Apresentação

Apresentação

Se você está lendo este texto diretamente em seu computador, isto significa que faz parte do (ainda) restrito grupo de brasileiros que tem acesso à Internet e sabe utilizá-la. Uma pesquisa FGV/IBGE revela 28 milhões de pessoas têm computador em seus domicílios, enquanto 148 milhões ainda estão excluídos do mundo digital. Considerando que nem todos os que possuem computador têm acesso à Internet, você pode realmente se considerar um privilegiado: neste momento você está interagindo no mais revolucionário meio que existe para a comunicação e disseminação de conhecimentos.

Mas está interagindo, mesmo? Eis o grande divisor de águas no mundo virtual. Boa parte dos visitantes da rede mundial de computadores se limita a esta condição: são apenas visitantes. Navegam por sites do mundo inteiro, informam-se, pesquisam, ouvem músicas, acessam galerias de arte, copiam textos, imagens e sons em seus computadores. Enfim, usufruem das maravilhas da Internet e enriquecem seu conhecimento, sua informação e sua profissão. Mas não adicionam nada à rede. Atuam, portanto, apenas como receptores, desfrutando da tecnologia pela metade.

A grande novidade da Internet é justamente a possibilidade - livre, gratuita e ilimitada - de sermos produtores. Aqui mesmo, nas páginas do Portal da Educação Pública, oferecemos vários convites para que você não apenas receba as informações, mas interaja com elas, publicando sua opinião, sua produção, suas dúvidas. Você pode participar do fórum Discutindo, publicar experiências educativas na seção Sua Voz, contribuir para a seção Cultura com prosa ou poesia, comentar artigos de várias disciplinas por e-mail.

São essas oportunidades de interação de que fazem do Portal um espaço de intercâmbio de conhecimentos entre educadores, e não apenas um espaço de divulgação de informações e conteúdos para educadores.

Contamos, portanto, com a sua participação. Mas, se você é educador, deve ir muito além disso: precisa criar, com seus alunos, um espaço virtual só de vocês. Se sua escola ainda não tem um site, precisa ter, urgentemente! Se já tem, é hora de ver se ele está funcionando efetivamente como uma ferramenta pedagógica para os alunos, ou se é só um "cartão de visitas" da instituição.

Ter acesso à Internet na escola e não utilizá-la para produzir e divulgar conhecimentos é como ter uma biblioteca fechada a sete chaves. Desperdício tecnológico e pedagógico.

Site da escola é site educativo?

Das escolas do ensino fundamental, em todo o Brasil, apenas 12,4% têm acesso à Internet. No ensino médio, o acesso à grande rede chega a metade das escolas. Ainda é muito pouco, se o objetivo da Educação no país é promover a inclusão digital e formar cidadãos aptos a manejar as tecnologias de informação e comunicação. Mas são já milhares de escolas. De que maneira elas têm aproveitado a oportunidade de participar do mundo virtual?

Com uma simples pesquisa na Internet é possível descobrir a quantas anda o engajamento das escolas em criar, produzir e manter atividades com seus alunos e professores na rede. Poucas são as escolas que criaram seu próprio site. A maior parte delas, particulares.

Mas mesmo as escolas que têm site próprio raramente conseguem utilizá-lo como um recurso pedagógico, ou seja, raramente conseguem fazer da Internet um instrumento de produção cooperativa entre os alunos, mais do que uma ferramenta de pesquisa.

As informações que se encontram nas páginas das escolas resumem-se a uma apresentação institucional (histórico, projetos político-pedagógico, direção, localização, contato) e, no máximo, uma exposição de textos e fotos sobre eventos e projetos promovidos pela escola. Tudo isso é bom, mas está muito aquém do que se pode fazer para que os alunos vivenciem, em sua formação, o processo de produção de conteúdos que a Internet permite.

Assim como já nos habituamos a incentivar os alunos a escrever jornais, em vez de apenas lê-los, a produzir vídeos, em vez de apenas ver TV, a gravar programas de rádio, em vez de apenas escutá-los, nossa missão educativa é ensinar aos alunos o processo de construção de páginas na Internet, em vez de apenas ensiná-los a navegar por elas.

O principal problema parece ser: se nem nós, educadores, dominamos esse conhecimento, como transmiti-lo aos alunos? Vamos reconhecer, de cara, que por trás dessa dificuldade existe uma boa dose de medo, temor diante do desconhecido. As mesmas ferramentas de busca e navegação que o trouxeram a ler este texto (e que, portanto, você domina) podem levá-lo a aprender a construir um site. Basta curiosidade e um pouquinho de perseverança. Fazer um site simples é mais fácil do que parece.

Uma dica e um desafio

O projeto Escola do Futuro, da USP, foi criado para aproximar as escolas públicas de São Paulo do universo virtual, promovendo uma série de atividades e subprojetos que incentivam o trabalho cooperativo, a experimentação em sala de aula e o desenvolvimento de atividades educativas com o auxílio da informática. Explorando o site do projeto, você vai ver o resultado de trabalhos pedagógicos que envolvem os alunos no aprendizado de informática associado a diferentes disciplinas, com produtos digitais criados coletivamente.

O jornal "Tô ligado" é um dos espaços criados pela Escola do Futuro para abrigar produções feitas pelas escolas participantes. Vale como exemplo do que pode ser feito, por escolas comuns como a sua, e professores comuns como você. Prova de que dá para fazer, sem grande sacrifício.

Para começar a pensar em como se coloca a mão na massa, o mesmo site apresenta uma proposta pedagógica chamada WebQuest. Criado pelo professor americano Bernie Dodge em 1995, o WebQuest é um modelo pedagógico simples e adaptável a qualquer disciplina, para produzir e publicar, com os alunos, uma página na Internet dedicada a determinado assunto. O modelo WebQuest já inspirou mais de 10 mil páginas na rede (o site exibe exemplos de vários países). Vale a pena conhecer os princípios do WebQuest, pois ele dá algumas dicas interessantes de como utilizar bem os recursos das Internet em atividades educativas. Por exemplo: em vez de deixar os alunos pesquisarem livremente, o professor pode selecionar previamente um certo de números de páginas, para garantir a qualidade do conteúdo e que os alunos não se percam numa pesquisa "infinita". Além disso, o modelo insiste na necessidade de propor tarefas bem definidas, com produtos finais objetivos e avaliação final. Outro aspecto interessante é a proposta de que cada grupo de alunos assuma um ponto de vista diferente.

As competências necessárias para criar uma WebQuest são, basicamente, três: digitar, usar um processador de texto e copiar imagens da rede.

Questões pedagógicas pensadas e definidas, como é que se cria a página, afinal?

Da mesma forma que o Word serve para escrever textos e o Netscape serve para navegar na Internet, existem programas de fácil utilização para criar páginas simples. O FrontPage é um deles. No site Escola do Futuro há um tutorial que ensina, passo a passo, como utilizar o FrontPage para criar sua página na Internet.

E agora, nosso desafio: propomos que você, educador, crie um site. Pode ser o site da sua escola ou de uma atividade com uma turma. Quando a página estiver no ar, mande-nos uma mensagem de correio eletrônico que teremos prazer de divulgar o trabalho com uma matéria especial no Portal da Educação Pública.

Além disso, colocaremos o endereço nas seções Pela Internet e Pesquisa, para que outros educadores se inspirem em sua iniciativa, fazendo assim crescer mais e mais a comunidade virtual de educadores na Internet.