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Comportamento

Juventude angustiada: família e escola são a esperança

Alexandre Rodrigues Alves

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) com 880 jovens carentes matriculados nas escolas públicas de Belo Horizonte-MG comprova o que se sabe de forma empírica: a família, os amigos e a escola são, para essa geração angustiada, a luz no fim do túnel e a chance de um futuro melhor. Esse é o tema da reportagem de Glória Tupinambás e Ingrid Furtado publicada em 12 de junho de 2008 no Estado de Minas.

Os entrevistados estão expostos a um ambiente de violência e vulnerabilidade social, incluindo aí ameaças de bandidos – especialmente ligados ao tráfico de drogas, tiroteios e roubos –, e abusos sexuais. Um em cada cinco jovens nunca se sente seguro onde vive e mais de um terço não acredita nas instituições públicas a que poderiam recorrer, como polícia, Justiça, conselhos tutelares, postos de saúde. A maioria dos estudantes já usou substâncias ilícitas e 80% já experimentaram bebidas alcoólicas. Vários já tentaram o suicídio.

Por outro lado, a maioria dos jovens classifica a escola em que estuda como boa ou muito boa; mais de 80% acreditam que ela é o melhor caminho para ter alguma perspectiva de vida, e quase metade confia nos professores. “Entre as instituições públicas, a escola é a mais bem avaliada em relação à confiabilidade. Quando vista como lugar de aprendizado, a escola é um fator de proteção muito forte. Dessa forma, quando os estudantes estabelecem boas relações com a escola, ela pode se configurar como rede de apoio social e afetivo frente a fatores de risco aos quais possam estar expostos crianças e adolescentes”, acrescenta Bernardo Monteiro de Castro, psicólogo e um dos coordenadores da pesquisa.

Por sua vez, a família representa um porto seguro para 72,6% dos jovens. “O bem-estar no ambiente doméstico e a busca de suporte nos surpreenderam positivamente. O que os entrevistados chamam de família não é necessariamente o núcleo formado por pai, mãe e irmãos: ele se estende a avós, tios e outros parentes, dependendo de onde moram”, afirma Bernardo. Para quase metade dos entrevistados, os amigos são outro alicerce para seu futuro.

Foram ouvidos estudantes de 14 a 24 anos matriculados em 11 escolas públicas de Belo Horizonte, em áreas de alto índice de vulnerabilidade social e baixo índice de qualidade de vida.

É óbvio que esses dados não são uniformes para todos os grupos sociais ou todas as cidades. Mas provavelmente farão com que professores da rede pública que tomarem conhecimento desses indicadores passem a ver seus alunos com outros olhos, mais atentos e dispostos a contribuir para seu crescimento como estudante, profissional, cidadão e pessoa, em sala de aula e fora dela, através do emprego de recursos pedagógicos adequados às condições desse aluno e com a contextualização dos conteúdos trabalhados, aproximando-os da realidade do estudante.

Publicado em 05 de agosto de 2008