Nota

Para se entender como os defensores dos direitos civis perderam a luta no sul logo após o fim da Guerra Civil Americana, seria interessante falar sobre o período conhecido como Reconstruction, que vai de 1865 a 1876.

Com o fim da Guerra Civil Americana (1861-1865), os vencedores tiveram três tarefas a sua frente: a reincorporação dos ex-estados confederados a União; depois, a abolição definitiva da escravidão, e, por fim, a incorporação dos ex-escravos à sociedade, ao lhes garantir direitos políticos plenos.

As discussões sobre como se alcançar esses objetivos foram polarizadas. De um lado, os republicanos moderados, liderados por Lincoln. De outro, os republicanos radicais, cujo principal líder era o senador Charles Sumner.

Os moderados entendiam que bastava a rendição dos exércitos do sul, adesão da população à União e o fim da escravidão no país, estabelecida pela 13a Emenda à Constituição. Com relação ao direito de participação dos ex-escravos, os moderados pretendiam a incorporação gradual destes à sociedade, para que os brancos do sul se acostumassem com a nova realidade.

Os radicais, de outro lado, suspeitavam das intenções dos sulistas em realmente aderir ao projeto. Para eles, a proposta dos moderados simplesmente recolocaria no poder a velha aristocracia de fazendeiros.

Com o assassinato de Lincoln, em 1865, os radicais ganharam força. Seus representantes fizeram a maioria nas duas casas do Legislativo e impuseram ao sucessor do presidente assassinado sua política de reconstrução, que passou pela ocupação militar dos estados sulistas e a garantia imediata do direito de voto para os negros.

Para o líder dos radicais, era importante garantir o direito de voto para os libertos por três razões: sua própria proteção, a proteção dos brancos pró-união e o bem do país. A questão de fundo – quer para os moderados, quer para os radicais – era criar um eleitorado pró-união no sul.

Os negros votaram pela primeira vez em 1867.

No sul, por sua vez, com o fim da guerra, praticamente todos os líderes confederados renunciaram a secessão e a manutenção da escravidão. Contudo, a intervenção militar e a eleição de governos republicanos por negros, pró-unionistas e migrantes do norte acirraram os ânimos.

A reação foi marcada pela organização de movimentos como a Ku Klux Klan e do partido democrata. Foi por meio deste, em coligações com republicanos conservadores, que os estados do sul foram saindo progressivamente da intervenção federal, que acabou em 1877.

Daí em diante, os direitos civis da população negra foram restringidos progressivamente.