Uma outra questão ética é a possibilidade de se escolher o
sexo de um futuro bebê. Na Inglaterra, Statham et alii (1993) enviaram a um
grupo de cerca de 2.300 grávidas um questionário com as seguintes perguntas:
você prefere um menino, uma menina ou é indiferente? A análise dos resultados
mostrou que se a população da Grã-Bretanha pudesse escolher o sexo de seus
futuros filhos isto não causaria um desbalanceamento sexual. Já na China, onde
a maioria dos casais só tem um descendente, o aborto seletivo de fetos do sexo
feminino já criou uma desproporção sexual gigantesca em favor do sexo
masculino. E no Brasil, o que aconteceria se os casais pudessem optar pelo sexo
de seus filhos?
Por outro lado, a possibilidade de se determinar o sexo de
embriões antes da sua implantação (diagnóstico pré-implantação na fertilização
"in vitro") para casais com risco de doenças genéticas que só afetam
o sexo masculino (como a hemofilia ou a distrofia de Duchenne) evitaria o
diagnóstico pré-natal e o sofrimento de ter de interromper uma gestação no caso
de fetos portadores. A seleção sexual de embriões por essa técnica, no entanto,
é ética no caso de casais sem risco genético aumentado, que quiserem recorrer a
essa prática somente para escolher o sexo de um futuro bebê? Em algumas
sociedades, a herança material só passa de pai para filho se ele tiver
descendentes do sexo masculino, isto é, não ter um filho varão pode significar
perder toda a herança da família e ficar reduzido à pobreza. Não é difícil
imaginar que a procura de testes pré-implantação para determinar o sexo deva
ser muito grande nesses casos. Seria ético negar essa possibilidade em uma
situação como essa? |