O projeto
genoma humano (PGH) tem como objetivo identificar todos os genes responsáveis
por nossas características normais e patológicas. Os resultados a longo prazo
certamente irão revolucionar a medicina, principalmente na área de prevenção. Será
possível analisar milhares de genes ao mesmo tempo e as pessoas poderão saber
se têm predisposição aumentada para certas doenças, como diabete, câncer,
hipertensão ou doença de Alzheimer, e tratar-se antes do aparecimento dos
sintomas. As vacinas de DNA poderão eliminar doenças como a tuberculose ou a
Aids. Os remédios serão receitados de acordo com o perfil genético de cada um,
evitando-se assim os efeitos colaterais. Paralelamente a esses avanços,
inúmeras questões éticas já estão sendo discutidas e outras irão surgir. Mas,
por enquanto, as implicações éticas, legais e sociais dos conhecimentos gerados
pelo PGH em relação às características normais e patológicas e sua integração
na clínica médica têm sido discutidas no ambiente acadêmico. Na prática, entretanto,
já estão sendo desenvolvidos testes genéticos para a escolha do sexo de futuros
bebês e bancos de DNA da população. Um número crescente de laboratórios oferece
testes de DNA para doenças hereditárias ou para determinar se uma pessoa tem
maior risco de desenvolver certas doenças como câncer ou doenças cardíacas.
Será que as pessoas que se submetem a esses testes sabem o que exatamente está
sendo testado? O que significa um teste positivo? O que significa um teste
negativo?
Nos exemplos a seguir, veremos que a resposta a essas
perguntas não é fácil e exige amplas discussões dos pontos de vista social,
médico e principalmente ético.
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